
A leitura é um dos últimos recantos da liberdade intelectual.
Quem lê cria tanto ou mais que o autor. Com a imaginação solta, o leitor elabora mentalmente os cenários, compõe o perfil dos personagens, interpreta diálogos, identifica afinidades pessoais e vive, a seu modo, o prazer e a infinitude das emoções potencialmente contidas no texto.
Quem lê não recebe imagens prontas, coloridas, acabadas. Temde construí-las pelo processo do entendimento e interpretação.
O leitor nunca é passivo. Exercita, o tempo todo, os mecanismos psicodinâmicos que fundamentam, estruturam e aperfeiçoam a consciência. Por isso, desenvolve a criatividade, refina a percepção, aprimora o senso crítico e fica imune às manipulações que a comunicação pela imagem veicula como ingredientes de dominação. A leitura é problematizadora, induz a reflexão, suscita hipóteses, faz pensar.
Artigo publicado no Correio Braziliense 24/09/2003Dioclécio Campos Júnior. É médico, professor titular de pediatria da UnB e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (e-mail:dicampos@xxxxxxxxxxxx)
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